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domingo, 19 de outubro de 2008

Matéria - Entrevista com Patrick, Guitarrista(Vouten)


Fiz uma entrevista com João Gabriel dos Santos, o Patrick da banda Vouten.
Patrick, 22 anos, de Osasco/SP, que hoje vive em Novo Hamburgo/RS junto com sua banda. Uma banda da nova geração do Rock brasileiro, que tem tudo para crescer dentro do nosso mercado.

Quantos anos já faz que vocês da banda Vouten estão na estrada?

A banda tem um ano e meio, mais ou menos, mas eu entrei na banda fazem uns 6 meses
.



Quais as bandas que mais influenciaram para o Vouten?

A Vouten é uma banda razoavelmente completa quando se diz em influências, porque cada um tem seu gosto particular. Claro que gostamos de muitas coisas em comum, senão acredito que a banda nem teria se formado, mas as coisas vão de Hardcore à Powerpop. Dizendo por mim, Fresno é uma das grandes influências, em vários aspectos. Desde a mistura do rock e eletrônicos (que também tiro muito da Hellogoodbye e outras bandas) até em relação ao comportamento da banda. É bem ambicioso falar de fãs numa posição como a minha, mas eu certamente vou reconhecer o esforço das pessoas que são responsáveis pelo reconhecimento do meu trabalho. Acho que a Fresno, é a banda que melhor o faz hoje em dia. Mas musicalmente falando, a Vouten é uma banda bem influenciada por aquele hardcore protestante do Dead Fish. O Leléu (vocal/baixo) é um dos maiores fãs da banda que já vi. O Juno (bateria) é um assíduo do Travis, e o Tai eu acredito que seja tão eclético quanto eu.



Vouten, porque desse nome?? Tem algum significado a palavra?

Hahaha é um nome sem um significado específico. Logo no começo da banda, saindo de um ensaio, os guris viram algo como "Voutei" pixado na parede. O cara tão burro queria escrever "voltei", mas não soube como. Daí parece que o Leléu gostou da sonoridade daquilo, e foi testando umas outras letras até que saiu o Vouten. Mas eu gosto do nome, soa bem, fora o fato de que se tu procurar Vouten no google, as 3 primeiras páginas dão resultados de coisas sobre a banda. Não parece existir mais nada ou ninguém com esse nome, hehe.


Hoje a banda, já está crescendo, vemos que a comunidade de vocês vem bombando. Como perguntei pra Gabi na entrevista com ela, a banda deve esse sucesso a internet?

Ontem mesmo li uma entrevista com o Rick Bonadio e compartilho com ele a opinião de que a banda tem sim favorecimento pela internet, mas não cresce por causa dela. A banda se faz nos palcos, a banda mostra do que é capaz quando tenta (no nosso caso consegue muito bem) apresentar ao vivo tudo aquilo que as pessoas ouviram e viram na internet. Eu prezo muito a presença de palco das bandas, e sempre presto atenção pra tentar notar as principais diferenças na qualidade e na execução ao vivo, comparadas com o que a banda apresentou em estúdio. Talvez essa preocupação e atenção que eu tenho com isso façam com que eu me esforce cada vez mais para que a Vouten tenha um show impecável. A ajuda da internet é indispensável, nunca vou negar isso, mas quero ser reconhecido por o que a Vouten é capaz de fazer no palco, não pelo que a gente é capaz de apresentar na internet.


As bandas da nova geração sempre está sofrendo por não terem uma gravadora e tal, Vouten sofreu com isso também??

Não só sofreu como sofre, de certa forma. A gravadora tem a capacidade de expandir a tua divulgação de uma maneira que banda nenhuma do underground jamais vai ter. Te dá as condições de trabalho que se precisa ter pra começar a sonhar em viver da música. Claro que as gravadoras não vão sair assinando contratos com todas as bandas por aí, a banda tem que vender, a banda tem que ser boa. E é difícil esse tipo de análise, mas eu considero a Vouten uma banda preparada e com qualidade suficiente pra entrar em uma gravadora. Por isso continuamos nosso trabalho, sabemos que as coisas vão acontecer na hora certa, e também sabemos (e sempre soubemos) que nada acontece

sozinho. Conheço muitas (MUITAS) bandas independentes, e acredito que a Vouten seja uma das que mais luta pelo seu espaço, não gostamos de ficar parados vendo as coisas acontecerem ou esperando que aconteçam sozinhas




Tem algum integrante da banda que tem projeto paralelo??

Não. E agora nem teria como ter haha, a dedicação está MUITO focada na banda. Eu confesso que as vezes faço umas musiquinhas em inglês, algo mais calminho com um violãozinho agradável, mas não tenho tempo de armar tudo a ponto de publicar tudo isso, não por enquanto. E não seria algo que eu dedicaria muito tempo também, a Vouten é o objetivo principal de cada um de nós. Mas claro, as vezes rola uma vontade de fazer algo diferente, e nem sempre a proposta da banda se encaixa, então provavelmente eu monte alguma coisinha mais pra frente, mas sempre vou deixar claro que a Vouten é o centro de tudo, não vou nunca deixar de dedicar tempo ou recursos pra Vouten por causa de outro projeto.


Como foi a experiencia de tocar com Dado Vila-Lobos?


Bããããã, me dá arrepios só de lembrar. O cara é um dos mestres do rock nacional, começou a porra toda. Quem nunca ouviu Legião Urbana? Quem nunca teve uma fase de saber cantar todos os sucessos da banda? Tá louco, Legião Urbana é uma banda que marcou gerações, as bandas que transpassam a barreira do tempo, que fazem sucesso durante 20 anos, são memoráveis. Não é pra qualquer um fazer isso. E estar de frente com o Dado Villa-Lobos, ser convidado por ele pra participar de uma música no show do cara foi algo que nem acreditamos direito quando aconteceu. Foi a maior aula de rock que poderíam

os ter, o show dele é fantástico, a banda é muito boa, e acima de tudo, o cara é humilde. Ele tem noção do que ele e a banda que ele tinha representou pro rock nacional, ele sabe muito bem que o trabalho dele revolucionou a vida de muita gente, e ainda assim ele trata todos como iguais. Admiro muito ele por isso. Quando estávamos no palco, me senti em um show de 1986, fazendo rock tentando mudar o país, e ao mesmo tempo, ele disse que se sentiu como se tivesse voltado no tempo, se sentiu criança novamente. Acredito que tanto pra Vouten quanto pra ele foi uma experiência inesquecível. Eu vou bater no peito e dizer que toquei com o Dado pro resto da vida.


Vocês sofrem algum tipo de Rotulo, como Fresno recebe o Emo?

Acredito que sim, mas nem saberia dizer ao certo. No caso da Fresno, é uma banda que tem um alcance incomum, então existe uma grande massa, na maioria das vezes que nem conhece o trabalho deles, que julgam isso ou aquilo da banda. Na verdade eu acho bem engraçado isso, porque o termo já fugiu do controle, conforme falou a Gabi na entrevista dela. Se tu pegar a essência do que seria o Emo e se essa essência for compatível com o que certa banda apresenta, não vejo problema nenhum em chamá-la de Emo. Conforme disse o Tico Santa Cruz em seu blog, na época do Punk, ninguém negava ser Pu

nk, na época do Grunge, ninguém negava ser Grunge. Então o que a Vouten faz é não se rotular. Acredito que isso seja superficial demais em relação à todas as preocupações que a banda tem, então, eu pelo menos penso da seguinte forma: Chame do que quiser. A gente se preocupa em fazer música boa, que diga algo sobre nós, e que agrade aos integrantes e ao maior número de pessoas possível.

é idiotice, hoje usam o termo emo como chingo. 'ah, seu emo', como se a pessoa ficasse ofendida com isso. e as pessoas ficam, de fato, ofendida. isso só faz com que se use mais ainda o termo como ofensa.

Se alguém me chamar de emo, o máximo que vou fazer vai ser 'pf'.


Jah vi videos seus, tocando Violão, Guitarra,Teclado. Quantos instrumentos você toca? E em qual momento da sua vida que você parou e disse, Eu quero viver de música.

Tudo começou com o meu avô. Ficava tão boquiaberto ao ver ele tocando violão que cada corda que ele batia eu sentia que a música estava em mim. A prova da hereditariedade é a minha mãe. Quando aprendi a arranhar algumas coisas no violão, sempre pedia pra ela cantar comigo. A voz da minha mãe é muito linda, ela canta muito bem. Com tudo isso não tem como negar que a música está em mim, sempre esteve. A partir daí, comecei com a bateria. Sempre gostei muito, e já toquei bateria em várias bandas. Ao mesmo tempo fui aprendendo a tocar violão/guitarra, e o contato com o piano sempre foi constante. Meu tio toca absurdos. Claro que existem algumas excessões, tipo instrumentos de sopro, que não entendo muito bem como funcionam, mas de resto, acho que sou capaz de tocar qualquer outro instrumento. E esse momento determinante foi quando eu tinha meus 21 já. O trabalho estava me consumindo e eu estava ficando louco, não tinha tempo nem pra mim, então resolvi tirar férias que duraram pra sempre. Minha mãe ficou bem preocupada com tudo aquilo, porque viu o quanto aquilo estava me prejudicando.

Foi um momento difícil, quando minha mãe perguntou o que exatamente eu ia fazer, eu disse que 'qualquer coisa, até a música me sustentar'. Eu acredito que esse sempre tenha sido o sonho da minha mãe.

E por isso ela se dedicou de forma jamais vista pra que isso acontecesse pra mim. Antes mesmo de reconhecer o esforço de qualquer fã, vou reconhecer o que minha mãe fez, faz, e sei que ainda vai fazer por mim e pela Vouten. Espero poder ser pro meu filho o que minha mãe é pra mim.


Walter:

Isso é bom, ver que tua mãe tá sempre disposta a ajudar, não é o que acontece sempre, pois muita gente acha que música não é profissão, e que nunca vai dar futuro pra ninguém, o que você acha disso?


Patrick:

Sim sim, essa foi a visão da sociedade como um todo durante muito tempo, mas eu particularmente acredito que isso está mudando. se todo mundo mesmo achasse que música é coisa de vagabundo, as gravadoras grandes não existiriam, e o mercado fonográfico não circularia tanto dinheiro quanto o faz nos dias de hoje.


Qual é o maior sonho da Banda?

Viver da música é um dos maiores sonhos da banda. É um objetivo maior, mas eu diria que pra que isso aconteça, existem vários outros sonhos, outros objetivos menores que queremos alcançar.



Deixe uma frase pra todos os jovens que estão querendo começar uma banda, pra não desistirem desse sonho?

Seja feliz do seu modo, pois ninguém faz por você. É o que eu digo pra quem quer começar uma banda. =)



Agradeço à Patrick, por ter aceito meu convite, espero que ele tenha muito sucesso em sua carreira, junto com toda a banda. Fica aqui uma dica ouçam Vouten. =]]

http://www.fotolog.com/vouten
www.tramavirtual.com.br/vouten
http://www.vouten.com.br/








2 comentários:

Livio Cunha disse...

Fico muito válida a entrevista.
Vouten é o presente, é o futuro.

Tah do caralho o blog Wat.
Sucesso mlq.

Walter Terra! disse...

Opaa, vlw aew bibinho!

COm o tempo vai crescendo!
abrax!!